O valor social que cada homem representa é insubstituível, pela simples razão de que cada homem é um fenómeno que não volta a repetir-se.
Por isso o sacrifício da vida se traduz na destruição mais irreparável de quantas podem ser causadas, e a doação da vida é a mais inexcedível das abnegações.
De todos os documentos humanos, os testemunhos dos que conheceram a morte, dos que, sem desespero, bateram à porta da morte para voluntariamente passar, serão sempre o mais solene ensinamento sobre a maneira de viver.
É uma autoridade que não pode ser desafiada, uma decisão que não pode ser substituída, um exemplo que não pode ser evitado, uma liberdade que não pode ser coagida. Quando o sacrifício é feito no interesse da Pátria, são também ordens que alguém cumprirá um dia. (…)

“Os que souberam morrer”, Emília Cabrita da Silva

Prefácio de Adriano Moreira